quarta-feira, 20 de julho de 2011

Coitado do brasileiro, uma hora é engolido de vez.



   Estava eu divagando sobre o porquê do brasileiro ser tão ingênuo, ignorante e hipócrita (porque, pra mim, quem vota no Tiririca e reclama dos políticos só pode ser hipócrita), e pensei em algo que nunca vi ninguém comentar.
Sim, claro, a política e os políticos sempre têm culpa, sem sombras de dúvidas.  Isso é um fato indiscutível. Mas, continuando...
   Parado na calçada, prestes a pisar na faixa de pedestre, vi que o cruzamento que eu iria fazer não tinha aquele farolzinho, sabe? Que indica se eu posso passar ou não. Para todos os lados tinha, mas para o cruzamento que eu ia fazer, não. Pensei: ‘agora ferrou’. Com uma tremenda rapidez (nossa, que rapidez), passei de um lado da rua para o outro e mais uma vez comprovou-se a estupidez do povo, agora, em forma de motorista.
   Pensei mais um pouco e fiquei foi com dó da criatura que quase me atropelou. Com um olhar arregalado, como de quem não dorme há dias, o indivíduo dirigia loucamente. Eis a resposta: com uma carga horária de 8 horas por dia, ele só poderia estar com pressa de chegar ao seu local de trabalho. Por isso é louco, apressado e estabanado. Não tem tempo e está compressa porque se perder o emprego, bye bye. É fácil falar que na Europa, quando se pisa na faixa de pedestres, todos os motoristas param e esperam os pedestres passarem, e tem paciência até mesmo com aquela velha caquética e entrevada que leva anos para passar de um lado para outro. A diferença é que lá, só se trabalha por 6 horas durante o dia. Ou seja, dorme-se mais cedo, acorda-se mais tarde, a pressa não existe e a educação brota como uma flor no jardim da mamãe.
   Coitado do brasileiro, nas escolas o governo não dá assistência nem apoio, tampouco melhorias para que o aluno cresça intelectualmente. A carga horária de matemática é 10 vezes maior que a de filosofia e sociologia. Acha que eles querem que você saiba que é trouxa? Nem pensar! Quanto mais ignorante você sair de lá de dentro, melhor. Se desistir por não aguentar tanta física e química, melhor ainda.
   Olha as décadas de 90, 80, 70 e perceba o número de protestos que as pessoas faziam. Vide o grau de violência e brutalidade que esses protestos eram feitos. Ou era do jeito que queriam, ou o pau comia mesmo, sem dó nem piedade. Hoje, o que vemos são ciclistas andando pelados em cima de suas bicicletas, parando a Av. Paulista em plena segunda feira e atrapalhando quem não tem nada a ver com isso para exigir melhores condições e respeito para com eles. Estão certos? Em certa parte sim, em outra parte não. Por que não pega o busão? “Ah, é complicado, é muita gente, tá caro, é demorado”... Percebem a bola de neve? Percebem como uma coisa vai levando a outra?
   O buraco é muito mais em baixo, ou mais em cima, geograficamente falando, já que Brasília está mais ao norte do que SP, enfim.
   Uma coisa leva a outra, e quem toma é o brasileiro de costas largas, ignorante e que está cada vez mais desacordado para as sacanagens que fazem com ele...  Está dormente, não aprendeu a se defender na escola porque não teve uma professora de filosofia e sociologia que fizesse ele acordar e se tocar. Azar o dele, azar o meu e azar o nosso. Uma andorinha não faz verão, uma pessoa só não é multidão. E, assim, o povo segue essa caminhada triste, dolorosa,  idiota e sem fim rumo à dormência intelectual que lhes é injetada aos poucos, ano a ano, conforme as crianças vão entrando e saindo das escolas. O que fazer? Segundo a Marta, relaxar e gozar... É triste, mas é o jeito, não é brasileiro?

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